Atlético e Cruzeiro ameaçam não ceder CT's para as seleções da Copa. Coelho já vetou o uso do Lanna Drummond
amadeu barbosa
Modelo de gestão do estádio não agrada aos clubes de Belo Horizonte, que julgaram deficitário
Definidos quais
jogos Belo Horizonte receberá durante as Copas das Confederações, em
2013, e do Mundo, em 2014, o foco da capital mineira passa a ser a busca
por seleções que fiquem na cidade durante as duas competições. No
entanto, Atlético e Cruzeiro prometem endurecer o jogo na liberação dos
seus Centros de Treinamento (CTs), que foram indicados à Federação
Internacional de Futebol Associado (Fifa). A reação não deixa de ser uma
resposta à insatisfação com o modelo de gestão que será implantado no
Mineirão após a sua reabertura.
Com a reforma do estádio, os dirigentes dos dois clubes acreditam que a
utilização do Mineirão ficará inviável financeiramente. Isso porque o
edital da gestão compartilhada do Gigante da Pampulha prevê o repasse de
apenas 50 mil ingressos em cada partida. Mesmo assim, o valor tem que
ser negociado entre o clube e a concessionária que administra o estádio,
no caso, a Minas Arena.
Além disso, a empresa ficará com toda a receita de estacionamento,
restaurante, bares, placas publicitárias e com os lugares mais nobres,
como os camarotes.
O mesmo deve acontecer com o Independência, que teve seu edital de
concessão divulgado esta semana. E nessa queda de braço em busca de
melhores condições para utilização do Mineirão e do estádio do Horto, os
clubes ameaçam não ceder seus centros de treinamentos.
Dessa maneira, os CTs só serão liberados caso América, Atlético e
Cruzeiro tenham condições melhores para utilização dos estádios de Belo
Horizonte, que correm o risco de se transformarem em verdadeiros
“elefantes brancos”.
"O Cruzeiro não vai emprestar nem a Toca da Raposa I nem a Toca II se o
Governo do Estado não sentar para negociar com os clubes a questão dos
jogos no Independência e no Mineirão”, avisa o presidente eleito do
clube, Gilvan de Pinho Tavares.
De acordo com o dirigente, se isso não for feito, o time azul vai
continuar jogando fora de Belo Horizonte, na Arena do Jacaré, em Sete
Lagoas, no Ipatingão, em Ipatinga, e no Parque do Sabiá, em Uberlândia.
O Cruzeiro critica também que, da forma como ficou a nova gestão do
estádio, os clubes vão acabar pagando, de fato, a reforma do Gigante da
Pampulha. Segundo o clube, na conversa com o Governo do Estado antes da
empreitada, a promessa era de que o novo Mineirão seria administrado
pelo clube estrelado em conjunto com o Atlético, assim como acontece na
Itália, com a Internazionale e o Milan.
Para o presidente do Atlético, Alexandre Kalil, com a política a ser
adotada no Mineirão, ele arrumaria um parceiro para construir um estádio
próprio.
“O grande problema que pode acontecer no Mineirão é que com essa
fórmula, eu consigo uma empreiteira como parceira para construir o
estádio em um ano. Do jeito que está, o Mineirão só será viável para
eventos religiosos e festa da Fiat”, afirma o presidente alvinegro.
Experiências de outros países mostram que o título de CTs atrai
turistas, gera mais empregos, incrementa o turismo, fortalece a imagem
da cidade e gera visibilidade mundial. Diante disso, é de total
interesse dos governantes em trazer as seleções para se hospedarem em
suas cidades.
Apesar disso, Kalil adianta: “Para usar a Cidade do Galo, terá que
pagar. Não quero saber quem vai trazer as seleções. Se é a Prefeitura ou
o Governo do Estado. Para usar a Cidade do Galo, terá que pagar”,
garante.
“Não faço a menor questão de receber seleção alguma. Se a Fifa quiser
usar a Cidade do Galo terá que pagar bem pelo aluguel. Nosso CT não
precisa mais de publicidade. De graça, só empresto se for para a Seleção
Brasileira”, finaliza.
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