A Polícia Civil vai investir R$ 1,5 milhão em obras emergenciais no
prédio do Instituto Médico-Legal (IML), no bairro Gameleira, região
Oeste de Belo Horizonte. O anúncio foi feito na última quarta-feira
(10), por meio de uma nota divulgada pela Polícia Civil, órgão
responsável pelo instituto.
Em junho deste ano, o Hoje em Dia publicou uma série de
matérias denunciando as precárias condições de funcionamento do IML,
órgão responsável pelos laudos de crimes violentos.
Os recursos serão usados para reforma do prédio, há anos sem qualquer
tipo de intervenção. Mofo e infiltrações tomam conta das paredes do
prédio. O recurso também será usado nos reparos da rede elétrica.
O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol) realizou inspeções
no local e constatou o sucateamento do IML, solicitando a intervenção
do Ministério Público Federal (MPF).
Nesta semana, o MPF informou ao sindicato que as denúncias terão que ser apuradas pelo Ministério Público Estadual.
“O sucateamento do IML prejudica não só os servidores. Os laudos sobre
as mortes violentas, como os homicídios, acabam sendo prejudicados por
falta de estrutura”, disse o presidente do Sindpol, Denílson Martins.
Crime ambiental
Entre as irregularidades que precisam ser apuradas está o descarte de
sangue e secreções de cadáveres e resíduos gerados pelas atividades do
IML em cursos d’água e em redes de esgoto comuns. Eles precisariam ser
tratados adequadamente antes de serem descartados.
“Os crimes ambientais são federais e deveriam ser investigados pelos
procuradores federais. O que está sendo despejado na rede é altamente
infectante e cai nos rios e córregos”, afirma o presidente do Sindpol.
O MPF alega que o IML é um órgão estadual e, por isso, cabe aos
promotores de Meio Ambiente e de Defesa do Patrimônio Público abrirem um
procedimento investigatório. Os contratos de funcionários de empresas
terceirizadas não serão investigados pelo Ministério Público Federal do
Trabalho.
Raio X
A demora na liberação dos corpos é uma das preocupações dos médicos
legistas que trabalham no IML. Um dos médicos, que pediu para não ser
identificado, afirma que nos fins de semana chegam a fazer exames de
necropsia em 25 cadáveres.

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