Depois
de tanto ler este site, resolvi contribuir pela 2ª vez. Não quero, de
maneira alguma, ser o dono da verdade, até porque acredito que raras
vezes existe verdade absoluta; como disse, minha intenção é apenas
contribuir.
| Via Blog da Renata |
1.
Bons e maus profissionais existiram, existem e sempre existirão em
todos os lugares, incluindo a PM e PC. A questão é: atualmente, o que é
um bom policial, seja ele militar ou civil? É o policial honesto? É o
policial honesto e esforçado, que realmente trabalha (e não enrola)
durante seu turno de serviço? É o policial que “não dá novidades”, mas
que é um mão cansada? Eu classifico o bom policial como aquele que é
honesto e que realmente trabalha, mas o motivo deste questionamento é o
fato de quê atualmente, me parece que ainda há mais bons do que maus
policiais, mas infelizmente o número de maus policiais vem aumentando
muito. Do soldado ao coronel, há casos de corrupção, extorsão, roubos,
envolvimento com jogos ilícitos, com drogas e muitos outros ilícitos. E
isso tem desestimulado muito os bons policiais. A PM é uma Corporação
extremamente séria e a maior prova disto é que ela é o órgão público do
Brasil que mais demite/expulsa seus maus profissionais; mesmo assim,
isto parece já não surtir o efeito desejado, qual seja, o de impedir ou
evitar que policiais militares cometam ilícitos. Com relação ao
tratamento entre Oficiais e Praças, não negarei que há muitos que se
aproveitam do posto ou graduação para serem arrogantes e mal educados,
mas tais pessoas não estão restritas apenas ao quadro de Oficiais: há
sim muitos Praças que são extremamente grossos e arrogantes. Logo, isto
independe de posto ou graduação: depende tão somente da educação
recebida na família.
2.
Nunca houve, não há e nem haverá nenhum lugar no mundo onde o
funcionário ganhará um salário igual (ou muito próximo) ao do
diretor/gerente do local. Logo, não adianta ficar falando que os
Oficiais e os Delegados ganham mais, pois isto é o natural de qualquer
local. E para mim, a diferença tem que ser grande, tanto para compensar a
responsabilidade maior que possuem, quanto como forma de reconhecimento
do cargo. Mas isso não significa que os praças e as demais carreiras da
PC devam receber um mau salário, significa apenas que sempre haverá uma
diferença (que na maioria das vezes será grande) entre os que
administram/chefiam e aqueles que executam. E para ser Oficial ou
Delegado, não há outro caminho a não ser o do estudo. E outra coisa: há
inúmeros cargos públicos no Brasil que pagam salários maiores do quê o
de Oficial e Delegado; quem quiser, é só parar de choramingar e se
dedicar aos estudos.
3.
Fim da PM: vocês realmente acreditam que esta é a solução para todos os
males? Vocês realmente acreditam que o simples fato de tirar o nome
“militar” vai mudar muita coisa? Sempre haverá uma polícia fardada,
ostensiva e com a missão de impedir que os crimes aconteçam. Se
extinguir a PM, quem vai desempenhar tal função? A PC? Alguém da PC está
realmente disposto a vestir uma farda e ir para a rua patrulhar? Pode
até ser que um ou outro policial civil queira, até porque em alguns
lugares há grupamentos da PC, tais como o GOE, GARRA, etc, mais
militares do que a própria PM, mas eles são uma minoria muito pequena.
Desta maneira, mesmo que haja a “desmilitarização” da polícia, a
atividade de polícia ostensiva sempre existirá e, no caso do Brasil, por
um bom tempo será desempenhada pelas mesmas pessoas que hoje a
desempenham e, por óbvio, da mesma maneira. Maneira esta aliás que é
muito boa, feita seriamente por muitos profissionais, quando há tempo
para isto, e este tempo de efetivo patrulhamento está cada vez mais
escasso, pois a PM tem que ficar atendendo um monte de ocorrência que
não está diretamente relacionada a sua atividade.
Outra
coisa: não entendendo por que tanto rancor contra o militarismo. É uma
das formas de organização mais antigas das sociedades, baseada na
hierarquia e disciplina. Não é o militarismo e nem a PM os culpados
pelos abusos e erros cometidos por policiais. Nenhum curso de formação
da PM ensina coisa errada; aliás, mesmo que muitos critiquem, os cursos
da PM são muito bons e voltados e adaptados para a realidade paulista.
Na verdade, os erros e abusos (que não são só cometidos por policiais
militares, mas também por policiais civis) ocorrem em decorrência de uma
soma de fatores, dentre os quais posso mencionar a falta de um
treinamento constante após a formação, falta de uma boa supervisão,
vistas grossas e participação dos supervisores (incluindo sargentos e
oficiais) e uma boa legislação.
Na
minha humilde opinião, o melhor para a população paulista seria uma
única polícia, que tivesse sob seu poder o ciclo completo, mas ela não
seria estadual e sim municipal. Isto porque a realidade dos municípios é
muito, mas muito diferente e tudo que é planejado em São Paulo,
desconsidera a realidade interiorana. Assim, cada município organizaria
sua força policial da maneira que melhor lhe fosse possível. Mas
sinceramente, pouquíssimos municípios teriam condições financeiras de
arcar com a formação e manutenção de uma força policial bem estruturada;
além disso, outro fator, talvez até mais importante do que a questão
financeira, é o fato de que quase nenhum político (para não dizer
nenhum) teria isenção para administrar tal poder visando apenas o
benefício da população. Se com polícias estaduais sabemos que tais
problemas, imaginem polícias municipais…
A
PM é maior e melhor estruturada do que a PC e prende muito mais gente,
mas isso é decorrência lógica do fato de que a “polícia fardada” tem que
ter efetivo maior do que a “polícia sem farda” e, se ela tem efetivo
maior, consequentemente prenderá mais gente, pois está mais tempo na rua
e com mais recursos.
E
por mais que argumentem ou não aceitem, o policial militar é autoridade
policial sim. Não é autoridade policial no sentido definido pelo CPP,
mas é autoridade igual a qualquer policial civil, pois se não fosse, por
exemplo, com que poder ele abordaria pessoas e veículos e os submeteria
a busca? Encontrem uma resposta plausível para esta pergunta e ficarei
contente em lê-la.
4.
Relacionamento PC x PM: é outro ponto no qual as realidades da capital
distanciam e muito das de muitas regiões do interior; no interior, é
normal, comum haver amizade entre policiais civis e militares e tal
amizade reflete diretamente no serviço, pois há colaboração e cooperação
entre os órgãos e o maior beneficiado é a população; e na maioria das
vezes, o policial (civil ou militar) faz parte de tal população, pois
ele mora onde trabalha. Nunca fui maltratado ou coisa do gênero em
delegacias; já fui até tratado com indiferença, mas jamais com falta de
respeito; e vi, no mesmo momento, que tal indiferença poderia ser fruto
de várias coisas: o cara não estava em um dia bom, tinha brigado com a
mulher (ou a amante), tinha levado uma bronca do chefe, estava sem bico,
o carro tinha quebrado, sei lá, por vários motivos, mas não foi pelo
fato de eu estar fardado e ser policial militar. Mas acima de tudo, mais
uma vez na vida, percebi que somos tratado como tratamos: se o policial
militar for rude, sem educação, etc, ele receberá isto de volta, seja
de um policial civil, ou de qualquer outra pessoa.
As
maiores broncas de policiais militares contra os Delegados são quando
eles levam um “flagrante pro doutor”, mas o Delegado não ratifica a voz
de prisão. Aí muitos policiais militares realmente ficam machos. É até
engraçado. Eu nunca sequer pensei em argumentar com um Delegado nas
ocorrências em que a opinião dele foi diferente da minha e isto por um
motivo lógico: a lei deu, dá e dará esta prerrogativa a ele, ponto. Eu
sempre me preocupei em fazer o meu trabalho; o Delegado tem seu trabalho
e suas responsabilidades definidas em lei. Outro fato: eu nunca vi um
delegado falar para um oficial onde ele deveria colocar as viaturas ou
como atender uma ocorrência; ele pode até sugerir em reuniões ou
conversas informais. Assim, se ele não dá palpite no meu trabalho, por
que eu daria no dele?
Com
relação aos vencimentos, uma coisa é verdade: a maior parte dos
Oficiais não quer receber um salário menor do que o de Delegado. Eu não
tenho este problema, de verdade. Quando fiz concurso para a PM, já sabia
quanto receberia de salário; e naquela época já sabia também o que já
disse acima: há outros cargos públicos que pagam salários maiores; se eu
quisesse, poderia ter me dedicado e tentado tais concursos. No entanto,
sempre tive o sonho de usar farda e por isso optei pela carreira
militar. É lógico que eu gostaria de receber um bom aumento e receber um
ótimo salário, mas se isso não acontecer, bola pra frente.
O
que me deixa realmente triste e até certo ponto irritado é ver que não
há um critério justo para se estabelecer os salários públicos. Para mim,
o maior exemplo disso é o Oficial de Justiça: um carteiro de luxo, que
nada mais faz do que entregar cartas; quando está no “perrengue”, liga
190 e pede apoio. Eu sinceramente não sei quais seriam os critérios mais
justos para se estabelecer os vencimentos dos funcionários públicos,
mas me pergunto: qual o grau de complexidade da função dele? A qual
risco ele está exposto? Infelizmente, não consigo achar respostas que
justifiquem o alto salário que recebem.
Mas
o fato é que sempre haverá aqueles que ganham mais e os que ganham
menos; não sei como isto é definido, só sei que professores recebiam
igual a juízes e vejam como eles estão hoje e também sei, por ouvir
dizer, pois não vivi tal época, que o soldado da PM recebia dez salários
mínimos quando o governador era Franco Montoro. E então: qual é o
critério, se é que há algum?
Por
enquanto, vou encerrando por aqui. Não sou e nem tenho a mínima
pretensão de ser o dono da verdade; apenas quis contribuir para o site.
Só peço que se alguém for contrargumentar, que seja dentro da boa
educação e com argumentos sólidos. (Flit Paralisante).
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