Durante a ação seis pessoas foram presas e nove armas apreendidas.
Diego Souza
Do G1 Vales de Minas Gerais
Fabiano Bino da Costa, de 37 anos, vereador de Central de Minas (MG),
foi preso na manhã desta terça-feira (8), suspeito de envolvimento com
uma organização criminosa que praticava homicídios na região.
A prisão foi feita durante a operação "Ultimato", realizada em conjunto
pelas Polícias Civil e Militar e o Ministério Público de Minas Gerais.
De acordo com o delegado Iure de Mota, outras cinco pessoas também foram
detidas, três foram soltas após pagarem fiança pelo crime de posse
ilegal de armas. Além do vereador, permanecem presos Areni Gomes de
Souza e Welton Gonçalves da Silva.
As investigações começaram há cerca de 10 meses. Segundo o delegado, há
indícios de que o grupo agia na região desde 2001, Welton Gonçalves da
Silva e Areni Gomes de Souza seriam os executores dos crimes.
Fabiano Bino da Costa é Policial Militar reformado. Em 2012 foi eleito vereador em Central de Minas
pelo PDT. Segundo a polícia, ele teria assumido o comando da quadrilha
após a morte do antigo líder, também policial da reserva, ocorrida em 27
de junho de 2012.
"As nossas investigações começaram em 2012, quando Lafayette Albino dos
Santos, de 48 anos, foi morto em um local de intenso movimento em
Central de Minas. Ele teria sido vítima de uma possível queima de
arquivo, uma vez que tinha informações sobre outros homicídios
praticados pela organização”, revela o delegado Iure de Mota.
O delegado destaca que as investigações ainda não permitem afirmar se o ex-líder também foi morto como queima de arquivo.
O resultado da operação foi divulgado no fim da tarde desta terça, na 8ª
Região Integrada de Segurança Pública (RISP) de Governador Valadares,
durante entrevista coletiva com a participação da major da Polícia
Militar, Lirliê Aparecida de Souza, pelo promotor Evandro Ventura da
Silva e pelos delegados Iure de Mota e Daniely Muniz Oliveira.
Pistolagem e queima de arquivo
O promotor de justiça da comarca de Mantena, Evandro Ventura da Silva,
diz que não é possível informar o número de assassinatos cometidos pelo
grupo criminoso.
“Ainda não podemos afirmar, mas é possível dizer que os crimes começaram
através da prática de pistolagem na região, envolvendo empresários e
políticos da cidade. Com o passar do tempo a motivação dos crimes passou
a ser queima de arquivo. O grupo tinha a prática de extorquir, ameaçar e
até pegar dívidas para receber, devido a fama que vinha ganhando na
região”, revela o promotor.
Ainda durante a operação, nove armas e várias munições foram
apreendidas. Entre os suspeitos presos e que pagaram fiança, um é
militar da ativa, e o outro, tenente aposentado. O terceiro é irmão do
vereador preso. Segundo a polícia, o trio não teria envolvimento com o
grupo criminoso. Eles foram presos por posse ilegal de armas.
Processo administrativo
Segundo a major Lirliê Aparecida de Souza, a Polícia Militar vai
instaurar um processo administrativo para avaliar a permanência do
Policial Militar na corporação.
“Este será o procedimento adotado em relação ao PM da ativa, preso por
suspeita de posse irregular de arma de fogo. É preciso destacar que
desde o início das investigações a PM deu todo o respaldo à Polícia
Civil e ao Ministério Público para o esclarecimento dos fatos”, diz a
major.
Posicionamento
Até o momento da publicação desta reportagem os suspeitos não foram localizados para comentar sobre o assunto.


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