Obra tem atraso, falhas técnicas e desperdício de dinheiro
PUBLICADO EM 06/10/13 - 03h00
SERTÃO NORDESTINO. Há dois anos, a paisagem seca do sertão poderia ter
começado a mudar, caso o governo federal tivesse cumprido a promessa de
entregar as obras de transposição do rio São Francisco em 2011, conforme
havia sido previsto pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Desde o início dos trabalhos, em 2007, não faltaram percalços, abandono
de construtoras e denúncias de superfaturamento.
O resultado disso, hoje, é uma obra incompleta, com trechos semiprontos que ligam o nada ao lugar nenhum, além de uma desconfiança do sertanejo sobre a real eficácia da faraônica obra, idealizada ainda nos tempos de império, e que desde que foi anunciada, com toda pompa e circunstância, nunca foi unanimidade entre os especialistas.
A transposição do Velho Chico é composta por dois eixos (Leste e Norte), que partem de Pernambuco e seguem em direção ao Ceará e à Paraíba, num primeiro momento. De acordo com o projeto, o trecho Leste terá 217 km de extensão, sairá da barragem de Itaparica, entre Petrolândia e Floresta, no sertão pernambucano, e chegará a Monteiro, na Paraíba. Já a parte Norte da transposição terá, ao todo, 260 km de canais e barragens: de Cabrobó (PE) a Cajazeiras (PB).
Represas e barragens, que terão papel fundamental para fazer a água correr por efeito de gravidade, ainda são um mero escopo em terrenos pedregosos e arenosos. Em alguns pontos, elas sequer foram começadas. Em outros, apenas a terra foi remexida, causando uma transformação no cenário – da caatinga para um mar de poeira.
Hoje, em boa parte dos dois eixos, o canal serve apenas como ponto de passagem para espertos bodes e cabras que tentam encontrar alimento em meio à vegetação seca da caatinga. Nenhuma gota d’água passa por ali.
R$ 4,73 bi eram o custo da obra previsto pelo governo federal em 2007, quando a obra começou, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
R$ 8,2 bi são o total atualizado de gastos com a transposição do Velho Chico, de acordo com as projeções mais atualizadas do Ministério da Integração Nacional
Custo da obra ficou 80% mais caro desde 2007
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