Ex-presidente determina que PT apoie candidato indicado pelo PMDB no Estado e encerra crise no Espírito Santo
07 de novembro de 2013 | 22h 32
João Domingos - O Estado de S. Paulo
Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
interveio na crise entre o PT e o PMDB do Espírito Santo e abriu um novo
palanque para a candidatura de Dilma Rousseff no único Estado do
Sudeste onde a presidente ainda tinha dificuldades para fazer campanha
para a reeleição. Por ordem de Lula, emitida em reunião com a cúpula do
PT capixaba na quarta-feira, 6, o partido terá de engolir o candidato
que o PMDB indicar ao governo, seja ele o senador Ricardo Ferraço ou o
ex-governador Paulo Hartung. Com a intervenção, Lula e Dilma arrancaram o
PMDB das mãos do PSB de Eduardo Campos.
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Dilma passa, assim, a ser a única candidata entre os três mais
competitivos que já tem palanque em todo o Sudeste, região com mais de
61 milhões de eleitores (cerca de 43,5% do País). O tucano Aécio Neves
ainda tenta resolver o problema de São Paulo, que tem 32 milhões de
eleitores, recorrendo a uma chapa puro-sangue, com o senador Aloysio
Nunes Ferreira na vice. Se tiver êxito, Aécio calcula que poderá obter 2
milhões de votos à frente de Dilma em São Paulo. Ele luta ainda para
convencer o técnico de vôlei Bernardinho a se candidatar ao governo do
Rio de Janeiro, o que lhe garantiria palanque no terceiro maior colégio
eleitoral do País, onde o PSDB é fraco.
Já a dupla Eduardo Campos/Marina Silva, do PSB, ainda não definiu
seus palanques nos grandes colégios eleitorais da Região Sudeste – o
partido tem problemas tanto em São Paulo como no Rio e em Minas . No
Espírito Santo, onde tem o governador, vai enfrentar a força de Lula. Na
reunião com a cúpula petista capixaba, Lula obrigou o PT a retirar o
veto à candidatura do peemedebista Ricardo Ferraço.
Os participantes, como o presidente da legenda local, José Dudé e a
senadora Ana Rita, argumentaram que Ferraço não conseguirá derrotar
Renato Casagrande, do PSB. Só Paulo Hartung teria essa força. Mas Lula
reagiu. Disse que se PT e PMDB ficarem unidos, o candidato pode ser
qualquer um dos dois. No mesmo momento em que Lula se reunia com os
petistas, Dilma recebia Ferraço e Hartung no Palácio do Planalto e
anunciava o interesse na aliança. Foi um duro golpe no PSB de Eduardo
Campos e Marina Silva.
O ataque do PT a Casagrande, aliado de Campos, teve início em
outubro. Dilma cancelou visita que faria a Vitória no dia 18, quando
anunciaria uma vários investimentos, um deles a reforma do aeroporto da
capital. O PSB avalia, nos bastidores, que Dilma cancelou a visita ao
Espírito Santo – onde nunca pôs os pés depois que se tornou presidente –
para não deixar o pacote de obras nas mãos do rival Casagrande.
Ao mesmo tempo em que sofre ataques num Estado que o PSB governa,
Campos prepara um contra-ataque ao PT na Bahia. Ele e Marina vão a
Salvador em dezembro para lançar a senadora Lídice da Mata (PSB) ao
governo baiano, estabelecendo sua segunda fortaleza no Nordeste, além de
Pernambuco. No ato, o PSB oficializará o rompimento com o PT estadual.
Quarto maior colégio eleitoral do País, com 10,1 milhões de
eleitores, a Bahia está se tornando laboratório para todos os
presidenciáveis. O PT rachou: a ala do governador apoia Rui Costa,
secretário de Governo, rejeitado pelos comandados do senador Walter
Pinheiro (PT). PSDB, DEM e PV estão unidos mas não definiram candidato

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