Controle
Sistema impede acesso da PM
Ciclo. Trajeto das armas que são recolhidas das ruas não pode ser acompanhado pelos policiais militares
PUBLICADO EM 04/11/13 - 04h00
Apesar de a arma apreendida nas mãos de bandidos
em Ribeirão das Neves, em setembro deste ano, pertencer a um sargento
da Polícia Militar (PM) de Betim, policiais da corporação alegam que
desconhecem o paradeiro do próprio armamento que é entregue à Polícia
Civil para ser periciado. O sistema do Registro de Eventos de Defesa
Social (Reds) é unificado entre as duas polícias, mas a Militar não tem
acesso à parte que fica sob a responsabilidade da Civil, após o
fechamento da ocorrência, e onde é anotado se as armas já foram enviadas
ou não para o Instituto de Criminalística, no caso daquelas que
precisam passar pelo exame de balística.
Na ocasião em que a pistola do sargento foi entregue, em 2010, outras
duas que pertenciam a dois soldados – que também participaram do
tiroteio em Betim – ficaram sob a custódia da Polícia Civil da cidade. O TEMPO checou
que as duas armas sequer passaram pela perícia na capital. Mas como não
existe em lei um prazo definido para que os delegados enviem os
materiais para o instituto, é difícil dizer se elas ainda estão na
delegacia ou foram extraviadas. “Só neste ano, pelo menos 68 armas de
policiais militares de Betim foram entregues à Polícia Civil porque,
quando há troca de tiros, elas também precisam ser apreendidas. Mas onde
estão todas elas? Se extraviou uma, nada impede que outras também
tenham sido desviadas”, aponta um militar que solicitou anonimato.
Segundo o perito André Gomes, chefe da Divisão de Perícias Criminais da
Superintendência da Polícia Técnico-Científica de Minas Gerais, existe
uma proposta em andamento de um convênio com a PM para que os militares
possam encaminhar diretamente para a perícia as armas que pertencem à
corporação. Porém, Gomes acredita que não é função dos militares fazer
esse acompanhamento. “Se a arma está sob a guarda da Polícia Civil, a PM
não tem que ter controle. É o delegado que tem que saber. (*) Cada
corporação tem a sua competência”, argumenta.
Empecilho. Outra barreira que
dificulta o monitoramento das próprias armas pelos militares é que nem
sempre a origem delas é identificada. Quando são desviadas, muitas têm o
número de identificação raspado. Dessa forma, mesmo que elas sejam
apreendidas novamente nas ruas e cheguem à perícia, nem todas são
devolvidas aos batalhões de origem. “Quando a raspagem é muito profunda
ou há uma reimpressão de outro número por cima, a perícia não consegue
rastreá-la”, explica o presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do
Estado de Minas Gerais, Wilton Ribeiro. No caso da arma do sargento de
Betim, ela só foi identificada porque a numeração estava intacta.
Avanços
Mudança. Uma das medidas em
implantação para tornar mais seguras as informações nos inquéritos é a
digitalização dos laudos feitos pela perícia. Os documentos serão
lançados no sistema interno da Polícia Civil.
Anexos. Atualmente, os
resultados dos exames técnicos são entregues em papel e não são anexados
diretamente à ocorrência gerada no sistema das corporações.
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