sexta-feira, 29 de abril de 2016

A promessa de parar o Brasil

Editorial / 29/04/2016 - 06h00- Jornal HD

Editorial1A presidente Dilma Rousseff deu, nos últimos dias, mostras concretas de que não estava blefando quando declarou que deixaria um eventual governo Temer “à mingua”. Um dos episódios foi a declaração de Ricardo Berzoini – um de seus principais aliados – de que o PT tornará impraticável o processo de transição, sonegando deliberadamente informações gerenciais à equipe do Vice. Outro episódio, relatado nesta edição do Hoje em Dia, foi a decisão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) de suspender obras nas principais rodovias do país. 
A autarquia diz que não tem como honrar os compromissos oficiais feitos com as empreiteiras e sugere a paralisação de projetos licitados – que já andavam lentamente após o corte de R$ 21 bilhões no orçamento de 2016, anunciado em março.
Ao todo, a medida vai afetar 61 contratos de obras em onze estados. Dentre elas está a tão esperada duplicação da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce. Parece mentira, mas quem mora ao longo da “Rodovia da Morte” ou é obrigado a passar com frequência pelo trecho não deve se assustar tanto com mais esse adiamento.
A vontade de tornar a BR-381 norte uma estrada em condições mais humanas de tráfego vem atravessando gerações e já acompanhou inúmeras trocas de gestão pública em todos os níveis, sem que jamais fosse levado a cabo. Há dois anos, a intenção começou a virar realidade, mas desde sempre o projeto foi assombrado por incontáveis denúncias de má gestão, ameaças judiciais e inabilidade política.
Com o anúncio da paralisação a sociedade civil será obrigada, mais uma vez, a se mobilizar intensamente para exigir da União que não abandone o que começou a tão duras penas. Há esqueletos de viadutos, trechos com terraplanagem por terminar, desvios improvisados e toda a sorte de “indícios de obras” espalhados pelos lotes já entregues às empreiteiras. Esforço que pode ser perdido ou exigir retrabalho quando a consciência e a responsabilidade retornarem às cabeças que governam esse país.
A insatisfação de Dilma e do PT com a forma como o processo de impeachment está sendo conduzido não pode e não deve ser justificativa para que se imponha tão pesada vingança, que tem mais potencial para prejudicar à população brasileira do que a Michel Temer ou ao PMDB.
O Brasil já está à mingua e não merece ser soterrado com o que resta da dignidade do atual governo, que pode estar de saída.

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