terça-feira, 2 de agosto de 2016

Desfecho arrastado para Dilma e Cunha

Filipe Motta
fmotta@hojeemdia.com.br
02/08/2016 - 06h00
EXPECTATIVA – Aliados de Dilma querem ganhar tempo e contam com a possibilidade do surgimento de um fato novo

EXPECTATIVA – Aliados de Dilma querem ganhar tempo e contam com a possibilidade do surgimento de um fato novoApós a pausa de julho, agosto começa com o clima quente no Congresso, tendo na pauta a votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PDMB), além da vontade de que medidas econômicas prioritárias no governo interino de Michel Temer avancem no Legislativo.
No caso do impeachment, o relator do processo, senador Antonio Anastasia (PSDB) apresenta hoje a versão final do relatório. Não são esperadas surpresas, com o político mineiro endossando o posicionamento pela destituição da presidente eleita.
Durante o dia de ontem, circulou em Brasília a possibilidade de o presidente do Senado, Renan Calheiros, adiar para setembro a votação do impeachment, prevista para a semana de 29 de agosto.
Essa seria uma forma de o peemedebista pressionar Temer a nomear o deputado federal Max Beltrão (PMDB-AL), aliado do senador, para ministro do Turismo. Temer, por sua vez, vem aguardando o resultado de um julgamento contra Beltrão no STF, por improbidade, para decidir sobre a nomeação.
Nuvem
Aliados de Dilma ouvidos pela reportagem contam com o caso como forma de ganhar tempo, empurrando a votação para setembro, e apostam na possibilidade de um novo fato político surgir.
“Estamos anestesiados com a Olimpíada e as eleições municipais. A conjuntura política no mês de agosto pode ter mudanças no Senado”, torce o deputado federal José Geraldo (PT-BA).
O senador João Capiberibe (PSB-AP), no entanto, avalia que a votação deve prosseguir, apesar de ser contra o processo. “Claro que política é igual nuvem, como dizia um político mineiro: cada hora está de um jeito. Mas o calendário está definido para termos a votação até 1º de setembro”, diz.
O governo interino trabalhava para que a cassação ocorresse ainda no início deste mês, com a expectativa de vender ao mercado financeiro um cenário de aparente estabilidade política.
Oposicionistas, no entanto, não prometem conforto. “Como a sociedade sabe que o julgamento é político, o Temer não terá vida fácil após a Cassação”, diz Capiberibe.

Mês do desgosto
Caso se confirme, a cassação de Dilma, essa será mais uma tragédia registrada em agosto no histórico da Presidência da República do Brasil. Além do suicídio de Vargas no exercício do cargo, em 1954, foi neste mês a renúncia de Jânio Quadros, no dia 25 de agosto de 1961, dando lugar a João Goulart. Além disso, o já ex-presidente Juscelino Kubitschek morreu num acidente de automóvel no dia 22 de agosto de 1976.
Além de Dilma e Cunha, outro personagem que corre o risco de cair em agosto deste ano é o candidato a prefeito de São Paulo, líder nas pesquisas, o deputado federal Celso Russomano (PRB). Ele já foi acusado, em primeira instância, por pagar uma funcionária com recursos públicos e pode ficar de fora das eleições.
(Com agências)

Líderes pressionam Maia para ler documento ainda nesta semana
Um almoço de líderes da Câmara dos Deputados, na tarde de ontem, comandada pelo novo presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), buscou construir um alinhamento sobre a pauta de votações neste mês.
Além da possibilidade de a pauta econômica do governo poder entrar na frente na ordem de votações, corria nos bastidores a chance de a cassação do deputado Eduardo Cunha, ser postergada para depois das Olimpíadas, ou até mesmo para depois do segundo turno das eleições, diante do temor de o deputado fluminense abrir a boca e causar um estrago no governo Temer.
“A gente nunca pode se esquecer que o Cunha é um homem-bomba”, lembrou um parlamentar na tarde de ontem.
Antes da reunião, o presidente da Câmara, saiu pela tangente. “A segunda semana poderia ser com quórum mais alto, mas já tem deputado dizendo que é a semana do registro das candidaturas. Vamos aguardar, para não dar uma data errada e criar nenhuma frustração”, disse.
Durante a reunião, diversos parlamentares pressionaram Maia a ler o processo ainda esta semana. Somente após a leitura durante sessão ordinária o processo poderá ser votado pelos deputados. Maia afirmou que pretende ler o documento amanhã ou na próxima terça-feira. Devido ao período de eleição municipal, alguns líderes consideram que adiar a leitura para a próxima semana poderia representar que o presidente está tentando protelar o processo.

Desgastes
Apesar de ainda não haver consenso absoluto na base aliada, a maior parte dos deputados, lideradas por DEM e PSDB, avaliam como indispensável a cassação do ex-presidente da Casa como forma de evitar desgastes diante da suas bases, nas eleições municipais.
“Daqui a pouco os movimentos de rua podem voltar e a pauta virá dos dois lados do espectro político. É desmoralizante para parlamentar que lutou pela cassação de Dilma manter Cunha no poder”, disse o deputado federal José Geraldo (PT-BA).
A queda definitiva de Cunha, que ontem entregou as chaves da residência oficial da Presidência, também traz a estabilidade necessária para que projetos estratégicos sejam encaminhados na Câmara.
“Ele está tentando entrar com recursos, é um direito que ele tem. Mas o caso já passou do limite. Isso vai inclusive interferir nas eleição municipais, os deputados vão ser cobrados por isso em suas bases. Os recursos não vão ser admitidos – são protelatórios”, afirma o deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG).
A expectativa é que até o final da semana que vem, a cassação entre na pauta.
(Com Agência Estado)

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