quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Servidores da segurança pública de Minas Gerais ameaçam entrar em greve

Reunidos em audiência pública na ALMG, representantes da categoria marcaram assembleia para o dia 8 de novembro.

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Imagem da paralização de 1997

Líderes de todas as entidades representativas dos servidores da segurança pública de Minas Gerais marcaram para o dia 8 de novembro, às 14 horas, uma assembleia geral para definir ações de pressão ao Governo do Estado. Eles querem o retorno do pagamento dos salários para o quinto dia útil, a definição de reajuste para a categoria e a garantia da quitação do 13º em dia. A medida foi aprovada em audiência pública realizada nesta quarta-feira (19/10/16), no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), pela Comissão de Segurança Pública. Nenhum representante do governo compareceu à reunião.

A data também foi escolhida por outras categorias do serviço público estadual para uma paralisação geral com base nas mesmas reivindicações, segundo informou o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Civil (Sindepominas), Marco Antonio de Paula Assis.

O presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), que também é autor do requerimento para a audiência, reclamou das dificuldades financeiras que os policiais têm enfrentado em função dos atrasos e do parcelamento dos salários. Disse, ainda, que a data-base dos servidores é 1º de outubro, mas não houve nenhuma atitude do governo para decidir a recomposição das perdas. “Estamos há quase dois anos sem revisão salarial”, afirmou.

O deputado Sargento Rodrigues conclamou os participantes que lotaram o Plenário e as galerias a participarem de manifestações para exigir uma resposta do governador Fernando Pimentel. “É preciso a união de todas as forças de segurança pública”, disse ele, ao considerar a audiência pública “o último alerta” para Pimentel.

O deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG) defendeu ações mais concretas para que a categoria alcance os objetivos debatidos na audiência pública. Listou ocupações de espaços públicos, interdição de estradas e outras vias e a greve como formas da pressão. “Já fomos por demais tolerantes e compreensivos”, disse.

“A luta sindical não faz sentido se ficar só no gabinete, só no 'zap-zap'”, provocou o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil (Sindpol), Denilson Martins, que também defendeu a greve da categoria.

O delegado Marco Antonio Assis também defendeu mais pressão sobre o governador. “Convoco todos os delegados e toda a categoria a se fazerem presentes em todas as manifestações daqui para a frente”.

Militares temem retrocesso

Os presidentes da Associação dos Militares Estaduais Mineiros (Amem), tenente-coronel Norberto Rômulo Russo, e do Centro Social dos Cabos e Soldados, cabo Álvaro Rodrigues Coelho, compararam a situação atual da categoria com o que chamaram de “época pré-97”, referindo-se ao movimento grevista dos praças da PM realizado em 1997.

Ambos disseram não desejar retornar àquele período, no qual os policiais tinham baixos salários. O cabo lembrou que muitos dependiam de cestas básicas doadas por instituições da categoria. “Esse tempo acabou”, disse. “É preciso parar as atividades dentro dos quarteis”, reforçou o tenente-coronel.

O diretor do Sindicato dos Escrivães de Polícia (Sindep-MG), Paulo Fernando Silveira Ribeiro, também foi incisivo nas críticas ao Governo do Estado. “Governo que não se interessa pela segurança e que não se interessa pela sociedade, não governa”, afirmou.

Em tom ameaçador, o delegado Marco Antonio de Paula Assis afirmou que a Polícia Civil não é lugar para covardes. “Temos que ser valentes com todos que cometem crime, mesmo que seja o governador”, disse. Para ele, Pimentel comete crime ao não assumir com responsabilidade a condução da segurança pública no Estado.

Deputado critica uso de recursos públicos

O deputado Sargento Rodrigues criticou a gestão dos recursos públicos pelo governador. Ele disse estranhar que Pimentel justifique falta de verbas para investir na segurança pública, enquanto gasta com viagens e publicidade. Segundo o parlamentar, apenas neste ano, o governo gastou quase R$ 1 milhão em fretamento de aviões.

O parlamentar disse que, além dos salários, o governo também tem atrasado o pagamento de diárias, ajudas de custo e até férias-prêmio para os servidores da segurança pública. Reclamou, ainda, que foram reduzidos os investimentos no setor. “Se diminui o investimento em segurança, reduz-se a capacidade de resposta das polícias”, advertiu.

O presidente do Sindicato dos Peritos Criminais (Sindpecri-MG), Wilton Ribeiro de Sales, afirmou que as viaturas estão sucateadas e os policiais passando por dificuldades com os atrasos. Já o presidente do Sindicato dos Delegados, Marco Antonio Assis, disse não aceitar mais a desculpa da “herança maldita” usada pelo governador em relação à gestão anterior. “A fatura vai chegar e não vai demorar”, alertou.

Fonte: ALMG

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