quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Manifestantes que invadiram Câmara são liberados após depoimento à PF

17/11/2016 00h21 - Atualizado em 17/11/2016 00h28

Em ato, grupo pedia intervenção militar, atitude contra Constituição.

Após protesto, presidente da Câmara determinou detenção dos envolvidos.

Do G1, com informações da TV Globo











Os manifestantes que invadiram o plenário da Câmara dos Deputados na tarde desta quarta-feira (16) para pedir intervenção militar foram liberados no fim da noite após prestar depoimento à Polícia Federal em Brasília.

A invasão da tribuna da Câmara ocorreu por volta das 15h30 (por volta das 18h30, todos já haviam sido retirados pela Polícia Legislativa).

Durante o protesto, os cerca de 50 manifestantes gritaram palavras de ordem contra a corrupção. Uma participante do ato chegou a cuspir em um dos seguranças da Câmara, o que iniciou um tumulto no local.
Enquanto o protesto ocorria no plenário, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), falou à imprensa, e classificou os manifestantes de "baderneiros".

Maia disse, ainda, ter determinado ao Departamento de Polícia Legislativa que encaminhasse o grupo à Polícia Federal.

"A partir do momento que pessoas resolveram invadir o Parlamento, resolveram quebrar as dependências do parlamento, entrar no plenário sem autorização, subiram na mesa da diretoria da Câmara, a ordem que eu dei ao diretor do Depol é que todos saiam presos daqui presos e que sejam levados à Polícia Federal, com o apoio da Polícia Federal, porque não vamos aceitar esse tipo de abuso, de agressão. Não há negociação", disse Maia.
Grupo de manifestantes invade o plenário principal da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante um protesto por uma intervenção militar no país (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)Grupo de manifestantes invade o plenário principal da Câmara dos Deputados, em Brasília, durante um protesto por uma intervenção militar no país (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)
Manifesto
Durante o ato,o grupo apresentou um manifesto no plenário com uma pauta extensa e pediu, entre outros pontos, o fim de "supersalários" a servidores públicos; de aposentadorias em valores elevados; de ensino classificado por eles como "carregado de ideologia", além de fatores considerados pelos manifestantes como comunistas e socialistas.

Os integrantes se disseram a favor de uma intervenção militar, atitude ilegal e contrária à Constituição.

Para eles, os deputados federais estão implantando o comunismo no Brasil. Os manifestantes também se disseram contrários a mudanças no projeto de lei das medidas de combate à corrupção. O protesto foi organizado por redes sociais, segundo o grupo.

Durante a invasão, uma das portas de acesso ao plenário da Casa foi quebrada pelo grupo.

Após a retirada dos manifestantes do plenário, outro grupo, que protestava na área externa do Congresso, formou uma espécie de cordão para tentar impedir a passagem do ônibus da Polícia Legislativa que levava os detidos durante a manifestação para a sede da PF. A polícia chegou a usar gás de pimenta.

'Afronta'
Na noite desta quarta, o porta-voz da Presidência da República, Alexandre Parola, fez um pronunciamento à imprensa no Palácio do Planalto no qual afirmou que o presidente Michel Temer considerou a atitude dos manifestantes uma "afronta" à Câmara dos Deputados.

"O presidente da República lamenta a invasão do Congresso Nacional na tarde de hoje. A infração representa uma afronta à instituição que representa a soberania popular e um desrespeito às normas de convívio democrático", disse Parola na declaração a jornalistas.
Jornalistas foram isolados pela Polícia Legislativa da Câmara e foram proibidos de entrarem no plenário da Casa (Foto: Fernanda Calgaro/G1)Jornalistas foram isolados pela Polícia Legislativa da Câmara e foram proibidos de entrarem no plenário da Casa (Foto: Fernanda Calgaro/G1)
Imprensa
Enquanto o grupo ocupava a tribuna da Câmara, toda a imprensa credenciada foi retirada do plenário pela Polícia Legislativa da Câmara. Repórteres e cinegrafistas foram retirados, sem que pudessem continuar registrando os procedimentos da Polícia Legislativa.

Além disso, a transmissão da sessão pela TV Câmara foi interrompida enquanto os manifestantes estavam no plenário.

Segundo o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur, a imprensa foi retirada do local porque a presença de jornalistas poderia atrapalhar na negociação.

"Se pusermos a imprensa aqui dentro, complica, porque aí que eles não saem, não negociam porque eles querem aparecer na mídia", afirmou.

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