segunda-feira, 23 de maio de 2016

Como a inteligência artificial vai tornar os aplicativos obsoletos

Maiores empresas de tecnologia do mundo apostam e recrutam programadores para inovações em inteligência digital

PAULA SOPRANA - Época
20/05/2016 - 19h57 - Atualizado 20/05/2016 21h22
"Ninguém quer instalar um novo aplicativo a cada novo serviço que for solicitar", disse Mark Zuckerberg em evento do Facebook para desenvolvedores em abril. Sundar Pichai, presidente do Google, afirmou nesta semana durante o Google I/O que os lançamentos da empresa querem "ajudar você a ter as coisas feitas". No último mês, a IBM liberou um serviço para que outros desenvolvedores possam usar o Watson (tecnologia cognitiva que interpreta a linguagem humana) em seus aplicativos. Aonde, em pouco tempo, o avanço em relação à inteligência artificial vai nos levar?
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Uma das hipóteses é para o fim dos aplicativos, embora seja difícil prever um formato diante de tantas mudanças. A novidade mais aclamada no evento desta semana foi o Google Home, um dispositivo que usa inteligência artificial para funcionar como um mordomo dentro de casa. Além de responder a perguntas de qualquer tipo – como a Siri no iPhone –, ele avalia como está o trânsito, desliga luzes, toca playlists, verifica as tarefas a vencer na agenda, reserva restaurantes e compra bilhetes para o cinema.
O Google Home já é ligado a outras marcas. Ele pode, por exemplo, chamar um Uber para o usuário, sem que este precise utilizar seu celular. Outros aplicativos populares como 99 Táxis, Spotify, WhatsApp, Ticketmaster e Tunein também funcionam em consonância com o assistente digital.
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Basta dizer "Ok Google" e começar a pedir que ele execute as tarefas  (Foto: Google/Divulgação)
O Facebook está testando uma nova versão do seu aplicativo de troca de mensagens que vai muito além da conversação. Ao aprender com os hábitos do usuário, ele torna o conteúdo cada vez mais personalizado. Compras, consumo de notícias e solicitação de qualquer tipo de serviço serão feitos pelo messenger, sem a necessidade de aplicativos.
Zuckerberg usou o exemplo de uma comunicação com a rede de notícias CNN em que o leitor comunica, por mensagem, o tipo de assunto que quer ler. Em outra ocasião, ele está em contato com uma floricultura e escolhe on-line o buquê que pretende comprar, como se conversasse com o próprio lojista. Para essas transações, a empresa também pretende facilitar a vida do usuário, ao tirar a necessidade de que seja preciso fornecer o número do cartão de crédito a cada nova aquisição. Em breve, "username" e senha também ficarão obsoletas.
Serviços serão solicitados via Facebook Messenger (Foto: Facebook/Divulgação)
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Recrutando mão de obra
As maiores empresas de tecnologia do mundo estão precisando de programadores cada vez mais qualificados para inteligência artificial. A Telegram, concorrente do WhatsApp, anuncia em seu site que oferece US$ 1 milhão para que programadores criem bots – computador ou grupo de computadores que interpreta o sentido na conversa entre pessoas – focados em integração, inteligência artificial e processamento de linguagem. Por que agora?
Há poucas décadas, as empresas que tinham computador forneciam acesso para poucos funcionários, pois a ferramenta era muito técnica e cara. Com o barateamento dos aparelhos, a tecnologia adquiriu novas funções e levou startups como (na época) o Google à ascendência. Essas companhias ficaram gigantes, receberam injeções de bilhões para pesquisas e passaram a investir em novas tecnologias. Chegaram a um certo limite de inovação. Agora é preciso diversificar, e uma saída é oferecer plataformas acessíveis para que outras startups criem novos produtos.
Um dos riscos já falados é que as grandes companhias tendem a adquirir as menores e suas inovações, mantendo monopólios tecnológicos no longo prazo. Já do lado positivo, há um caminho aberto para que uma mão de obra altamente qualificada de desenvolvedores promovam o progresso em áreas como a saúde (imagine a inteligência artificial descobrindo a cura do câncer). Para o usuário, a consequência mais impactante é que sua interação com o computador será cada vez mais parecida com Jornada nas Estrelas.

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